Kombi Carat (Luxo)

 

Autor: Rafael de Oliveira

Colaboração:  Eduardo Gedrait

Criação: Fevereiro de 2017
Atualização: Maio de 2020

História

Fim da década de 90: O Brasil vivia o meio do primeiro governo FHC, pós plano Real, pós hiperinflação. Vivendo turbulências constantes e privatizações, o cenário social se despedaça. Inflação ainda alta, desemprego em rota de crescimento fez com que a solução para muitos trabalhadores fosse juntar suas economias (as que o Collor não pegou), algum dinheiro das rescisões trabalhistas e investir em um utilitário para fazer transporte alternativo, também conhecido como o movimento dos perueiros.

Em Janeiro de 1997 (dólar na época era praticamente = R$1), por exemplo, o pretendente à perueiro podia escolher os seguintes veículos 0km:

 

 

Os concorrentes (exceto a Towner) tinham motor a diesel que consumia menos, levavam mais passageiros e eram mais modernas, mais bem acabadas e confortáveis. Mesmo custando mais caro, no fim das contas, a receita dos concorrentes era de sucesso. E em 96 a Kombi “acusou o golpe” e perdeu muitas vendas. Compare:

 

 

Percebendo que seu projeto estava desatualizado (praticamente sem nenhuma modificação a quase 10 anos) a VW começou anos antes a desenvolver a nova Kombi nacional (que já era vendida exatamente igual no México desde 91). Sua primeira aparição pública foi durante o Salão do Automóvel de 96, quando a VW levou o próprio modelo mexicano para apreciação do público, com o famoso motor AP 1.8 e interior requintado.


 

Devido ao sucesso, a marca confirmou a produção do novo modelo em fevereiro de 97 e teve sua previsão inicial de chegar às lojas em maio, mas, de fato, começou a chegar às lojas em agosto daquele ano. Apesar da produção de linha ser a partir de 97/97 é possível encontrar raros modelos 96/97, possivelmente modelos que serviram de testes pela montadora e foram comercializados posteriormente. Também é possível encontrar Kombis mexicanas no Brasil, facilmente identificadas pelos parachoques pronunciados, radiador dianteiro e interior diferenciado. Estas, no caso, foram "refugo" de exportação e foram vendidas por aqui.

 



 

As diversas alterações ajudaram a Kombi a recuperar o mercado, além da mudança da política de incentivo à importação, que passou a taxar os asiáticos.

 

Carat: a nova Luxo

A nova geração trouxe uma nova versão, não disponível a mais de 10 anos na linha da VW: Luxo.


Fugindo do peso da palavra Luxo, agora com o nome de Carat, a Kombi mais luxuosa já produzida no Brasil durou pouco mais de dois anos em linha de produção. Muitos atribuem o fim da produção à ausência de itens básicos para ser considerada de fato, luxuosa. Outros ainda, dizem que o preço dela não estava condizente com o que era entregue.

O fato é que em 99 ela foi descontinuada da produção e a VW passou a importar a Transporter geração 4, por aqui chamada inicialmente de EuroVan e depois de um facelift, Caravelle. Esse movimento fez com que as pretensões de existir uma Kombi com acabamento superior desapareceu, deixando a veterana relegada a um nicho próprio das vans e furgões de trabalho.


Veja o primeiro folder clicando aqui e o segundo clicando aqui.

Nosso amigo Giovanni do RJ, disponibilizou um complemento dos Folders. Clique aqui pra ver.

 

Internamente

Como o próprio folder demonstra, a Kombi passou a ter bancos de espuma injetada, mais confortáveis, além de possuírem delimitações mais claras do espaço recomendado para cada passageiro. Além disso, ela possuía apenas dois bancos dianteiros, facilitando a circulação dos passageiros entre as duas áreas.

Diferente de tudo que a Kombi já ofereceu, todo interior era revestido. A maior parte, era revestido de carpete, incluindo o assoalho (sem tapetes de borracha), em torno dos bancos dianteiros e na área de passagem e ainda no bagageiro traseiro, inclusive, com revestimento para o estepe.

A capacidade de 7 lugares é inédita no Brasil, uma vez que sempre houve no banco central o assento com encosto retrátil.

Os pára-sóis também eram exclusivos: O do passageiro possuía um espelho enquanto o do motorista possuia um porta documentos.

As portas seguem o revestimento do interior: Veludo com seção central em tecido.
Apesar de tantos detalhes únicos, o maior destaque dela eram os bancos com revestimento aveludado.

Um dos poucos opcionais disponíveis era o sistema de som, que além de poder contar com o toca-fitas Gamma (ou Phillips), também adicionava caixas de som no interior. As que não possuiam som, não possuiam a preparação para auto-falantes, diferente das fotos.

 

Externamente

A Carat se destacava das demais pelas chamativas cores, exclusivas na linha. Segundo informações, foram utilizadas duas gamas de cores, de acordo com o ano de produção:

 

1997/1998
Vermelho Clássico (028/ L-5077)
Azul Atlanta (027/ L-4018)
Verde Java (026/ L-1471)

 

1998/1999
Branco Geada (3B3B/ L-I9A)
Vermelho Clássico (6M6M/ L-I3B)
Azul Netuno (4E4E/ L-I5A)
Verde Saturno (3S3S/ LI6J

 

Seguindo as mudanças visuais das demais Kombis em 1997, ela também possuía parachoques pintados na cor da carroceria, retrovisores maiores, porta corrediça e teto 11cm maior que a geração anterior.

Diferente das outras versões, a Carat possuia quatro detalhes externos exclusivos: pisca frontal incolor (ou cristal), “super” calotas, aros dos faróis cromados (na standard eram pintados de prata), e lanternas traseiras fumês.

A faixa branca não é original, assim como a cor das rodas. Por favor, desconsiderem.
As calotas possuem uma estrutura de ferro na face interna que garante que a calota fique presa sem estar conectada aos parafusos.
A Carat originalmente possuia todas as suas rodas (inclusive o estepe) na cor preta.

O logo “Carat” era um mimo da VW a alguns clientes. A fábrica nunca confirmou ou desmentiu que esse item fosse um item de série da versão.

Além disso as janelas da Carat, também são exclusivas. Além de serem feitas com vidros verdes, possui 3 janelas corrediças, sendo que a única fixa é a traseira do lado da porta corrediça. Em Kombis Standard, apenas as janelas centrais são corrediças.

 

Mecânica

A Carat usa exatamente a mesma configuração de motores, caixa, suspensão, freios e direção de suas irmãs mais simples. A única mudança que o modelo sofreu era a mesma das irmãs: a linha 98 recebeu injeção eletrônica, enquanto a 97 ainda era carburada.
Além disso, a Carat mantinha a opção a álcool ou gasolina, apesar de não sabermos quantos exemplares foram produzidos em cada versão.
Observe os catálogos:


Catálogo da linha 97, com dupla carburação.

 


Catálogo da linha 98, com injeção eletrônica.

 

Mercado

A Carat começa a entrar na mira dos colecionadores e admiradores de veículos antigos. Por ter sido produzida por apenas dois anos, seu valor de colecionabilidade é alto. Como a VW não divulga as vendas que ela teve separadamente de cada versão, é impossível saber quantas ainda restam no Brasil.
Apesar de ser uma versão, ela vem sendo tratada pelo mercado com a mesma cobiça que é dispensada às séries especiais. Muitas já foram exportadas para diversos países do mundo.
As Carats mais comuns são as brancas, sem dúvidas. As vermelhas também são encontradas em boa quantidade, mas verdes (tanto a Java ou a Saturno) e sobretudo as azuis (Atlanta ou Netuno) são raríssimas de serem encontradas. Estima-se algo entre 500 e 1000 unidades produzidas ao longo dos dois anos, em todas as cores.
Atualmente é impossível encontrar uma em bom estado de conservação com preços abaixo da Tabela Fipe.
Para se certificar que a Kombi pretendida é de fato uma Carat original de fábrica, verifique no documento: a VW identificou todas Carat no documento. Se não tem "Carat" no documento, não se trata de uma Carat original.

Acompanhando a tendência, a revista Fusca & cia fez uma reportagem com um desses exemplares:


Clique na imagem para visualizar toda a reportagem

Matérias adicionais sobre Kombi Carat em Revistas da época: (Clique para ver)

Agradecimentos especiais ao Reginaldo de Campinas e ao colecionador André Chun pelas informações e fotos.

Recomendamos a todos participarem do grupo de Kombi Carat no facebook!

 

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